Projeto da Uesb discute finanças e riscos dos jogos de azar com estudantes baianos

O projeto de extensão “Educação Financeira nas escolas”, coordenado pelo professor Josias Alves, do curso de Ciências Econômicas da Uesb, tem promovido diálogos com estudantes sobre vida financeira, endividamento e os perigos das apostas esportivas. Desenvolvido pelo Programa de Educação Tutorial Institucional (Peti) em Desenvolvimento Regional, o projeto já alcançou mais de 500 pessoas em quase três anos de atividade.
A iniciativa surgiu após a pandemia de Covid-19, período em que muitas pessoas estavam endividadas e a comunidade buscava respostas sobre a economia. “Precisamos esclarecer a população como ter cuidado com suas finanças para que não pague juros abusivos e as dívidas não se tornem uma dor de cabeça constante”, explica o professor Josias. Em outra frente, o projeto também conscientiza os jovens sobre os riscos dos jogos de azar e das bets, recentemente proibidas em todo o território nacional. “Jogos de azar não são um investimento, muito menos profissão. Eles causam doenças mentais, dor e sofrimento. Nosso trabalho é justamente fazer esse alerta”, completa.
As atividades ocorrem em escolas públicas de Vitória da Conquista e região, com foco em turmas de segundo e terceiro ano do Ensino Médio, dialogando com jovens entre 15 e 18 anos. A abordagem é feita por meio de palestras, de aproximadamente 20 minutos, seguidas de espaço aberto para interação com os estudantes. “É muito gratificante ver que os alunos estão se interessando por essa questão”, relata.
As palestras podem ser realizadas para uma turma por vez ou para todas as turmas reunidas em auditório, alcançando de 150 a 300 estudantes. Um exemplo recente foi a palestra realizada no Colégio Estadual de Tempo Integral de Maetinga, com o tema “Educação Financeira e os perigos dos jogos de azar”. A atividade buscou promover um momento de conscientização, permitindo que os estudantes refletissem sobre suas escolhas financeiras e os possíveis impactos dos jogos de azar em suas vidas.
O professor destaca que um dos pontos que mais tem chamado a atenção da equipe é a quantidade de jovens que jogavam em plataformas de apostas. “O que demonstra a importância de se discutir esse tema nas escolas”, afirma o professor. Durante os encontros, a orientação é categórica: “aposta não é investimento e é preciso ter muito cuidado”. Além de jogos de azar, o projeto aborda questões como endividamento e consumismo, alertando os jovens sobre a pressão para consumir determinadas marcas apenas para fazer parte de um grupo.
Além das escolas, o projeto pretende estender suas ações a pequenos empreendedores. A demanda chega por meio de indicações de colegas, sindicatos e associações. Nesse caso, o foco será ensinar precificação de produtos e serviços, noções de nicho de mercado, marketing, composição de preços, capital de giro e investimentos. “Muitas vezes o empreendedor faz um bolo para vender, faz sua arte para vender e não sabe quanto cobrar. Nosso objetivo é ensinar essas pessoas a precificar seus produtos”, explica Josias.
A estimativa é que o projeto já tenha ultrapassado 500 pessoas atendidas, somando estudantes e microempreendedores. “O projeto ainda está em vigor, continua trabalhando e é um processo de aprendizagem muito bacana para os estudantes, porque muitos podem trabalhar como educadores financeiros no futuro”, conclui.
Como participar – Escolas ou instituições interessadas em receber as ações do “Educação Financeira nas escolas” podem entrar em contato com a equipe do Peti pelo e-mail peti.regional@uesb.edu.br. A formalização da parceria é feita diretamente com cada escola, por meio de carta de parceria, e o projeto é cadastrado anualmente na Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex) da Uesb.




