Coren-BA lança campanha de combate à violência contra profissionais de enfermagem na Bahia

Conselho registrou 233 processos até agosto de 2026, número 43% superior ao contabilizado durante todo o ano passado
O Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA) lançou, em outubro, em Salvador, a Campanha de Combate à Violência na Saúde, com o objetivo de conscientizar a população sobre as agressões sofridas por enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem durante o exercício profissional. A iniciativa também busca orientar pacientes e acompanhantes sobre a importância do respeito aos trabalhadores da saúde. Dados do Coren-BA apontam 565 processos registrados entre 2024 e agosto de 2026, sendo 169 em 2024, 163 em 2025 e 233 somente nos oito primeiros meses deste ano. Entre as ocorrências estão suspeitas de agressões físicas, ameaças, violência verbal, assédio moral, injúria, discriminação racial, perseguição e abuso de autoridade.
Segundo o presidente do Coren-BA, Davi Apóstolo, o aumento das denúncias motivou a criação da campanha. Entre os episódios recentes está a agressão a três enfermeiras por um acompanhante durante um plantão no Hospital Professor Eládio Lassére, em Cajazeiras, Salvador. “A gente ficou alarmado com a quantidade exagerada de agressões, seja física, verbal ou, muitas vezes, até sexual, que os profissionais estão sofrendo na ponta”, afirmou.
O cenário também preocupa em âmbito nacional. De acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), mais de 28% dos profissionais da categoria no Brasil sofreram algum tipo de violência no ambiente de trabalho nos últimos anos. O país possui mais de 3 milhões de profissionais de enfermagem, que atuam nas redes pública e privada de saúde.
A campanha também pretende esclarecer que problemas como superlotação, demora no atendimento, falta de insumos e equipes reduzidas não são de responsabilidade individual dos profissionais. O Conselho destaca ainda que a ordem de atendimento nas unidades de saúde obedece a critérios de gravidade e risco dos pacientes. “O profissional que está ali atendendo não é culpado diante desse cenário caótico do serviço de saúde. Ele está ali para prestar assistência”, explicou Davi Apóstolo.
Como parte das ações de proteção à categoria, o Coren-BA disponibiliza um canal exclusivo para denúncias de agressões físicas e verbais, criado em julho de 2025. Os relatos podem ser encaminhados para o e-mail denunciasassedio@coren-ba.gov.br. A entidade orienta as vítimas a registrar boletim de ocorrência e reunir provas, como fotografias, documentos e testemunhas, para auxiliar na apuração dos casos.
Além da campanha, o Conselho atua em parceria com o Ministério Público do Trabalho, sindicatos e instituições de saúde para melhorar as condições de trabalho da categoria. Entre as medidas está a fiscalização do cumprimento da Lei Federal nº 14.602/2023, que determina a oferta de locais adequados de repouso para profissionais de enfermagem durante a jornada de trabalho.
Segundo Davi Apóstolo, instituições privadas receberam prazo até o fim de outubro para se adequar à legislação. O descumprimento poderá resultar na intensificação das fiscalizações e na adoção das medidas cabíveis.
Com a campanha, o Coren-BA reforça a importância da denúncia e da responsabilização dos agressores, além de defender melhores condições de trabalho e segurança para os profissionais. A entidade destaca que a cobrança por melhorias nos serviços de saúde é um direito da população, mas não justifica ameaças, agressões ou qualquer forma de violência contra os trabalhadores da enfermagem.
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