Atriz comenta falas do presidente eleito sobre a Lei Rouanet e as dificuldades da classe artística

A atriz Naty Bittencourt faz teatro há mais de 10 anos. Ela é formada em Fisioterapia, mas decidiu seguir seu grande sonho, e se mudou de Brasília para São Paulo atrás de oportunidades. Mas nem sempre é simples seguir esse sonho no Brasil.
“Apesar de todas as polêmicas envolvendo o uso da Lei Rouanet, ela é realmente importante para democratizar o acesso à cultura dos menos favorecidos”, afirma Naty.
Segundo ela, muitos acabam desistindo de seguir a carreira, seja no teatro, cinema ou TV, devido as dificuldades enfrentadas por artistas que ainda não alcançaram a fama: “Existe um grande número de artistas que estão em busca desse objetivo, mas que enfrentam todo tipo de dificuldade. Mas esse grupo, tão carente de incentivos, é ainda assim produtor de conteúdo cultural relevante, e normalmente se comunica com um público que no geral não será atingido por grandes espetáculos, pois estes se limitam a excursionar à capitais, com maior projeção, rentabilidade e bilheteria”.
Naty Bittencourt diz ainda o que espera em relação ao governo de Jair Bolsonaro, que iniciará seu mandato em 01 de janeiro de 2019: “Ele não foi minha opção de voto, mas torço para que faça um excelente governo. Recentemente ele declarou que desejava governar para todos, então eu espero mesmo que isso aconteça. Também gostei do que foi dito em relação a Lei Rouanet, que não seria utilizada para artistas já famosos, e sim para aqueles que ainda estão começando, que são os que mais precisam”.
A atriz fala sobre as dificuldades enfrentadas na profissão e para que as peça saiam do papel: “É muito difícil ser artista no Brasil. Somos pouco valorizados, e a maioria de nós não possui patrocínio. Recentemente, eu faria a Luisa, na peça ‘O Primo Basilio’, já estava com o texto todo decorado, mas um dos atores saiu do projeto. Um pouco depois, outro ator saiu também. Com isso, é necessário buscar novos atores para testes de elenco, e os aprovados precisam ensaiar e decorar as falas, e isso demanda tempo, e recursos. É preciso incentivar a cultura para que não haja disponível apenas os espetáculos que dêem mais lucro aos empresários do entretenimento”.
Créditos – Foto: MF Press Global

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