Filósofo discorda de professora em programa do Bial: “Você verá crianças na favela sorrindo, mas não verá crianças em uma guerra sorrindo”

O escritor, filósofo e pesquisador histórico Fabiano de Abreu não concordou com Yvonne Bezerra de Mello, que disse no programa Conversa Com Bial que o trauma de uma criança na favela é o mesmo que de uma criança na guerra. Ela foi professora na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, e vai educar crianças refugiadas na Europa. 
 
“Essa comparação não faz justiça à realidade. Para fazer uma análise desse assunto a pessoa precisa estar mais por dentro, vivendo aquele ambiente. Uma criança que nasce na favela tem poder de escolha, sabe as consequências e que pode correr risco de vida se seguir o caminho do crime. Já na guerra a pessoa não tem escolha”, diz o escritor, filósofo e pesquisador.  
 
“Muita gente fala que morre mais gente assassinada no Brasil do que na guerra. Ok, mas existe uma diferença muito grande do que pode acontecer e do que aumenta a probabilidade de acontecer devido a pessoa estar vivendo naquele meio. São fatores totalmente diferentes. Às vezes na guerra a pessoa teve uma educação de conhecimento e estudo, mas  tem não tem para onde fugir porque pode cair uma bomba, explodir e acabou. A pessoa está sempre naquele pensamento de que pode morrer a qualquer momento. Às vezes para uma comunidade a falta de comunicação do sentido de aprendizagem faz com que a pessoa tenha uma percepção diferente. Ela já nasce e cresce adaptada com aquilo ali e nem sabe se tem um mundo melhor ou não. Portanto vemos crianças sorrindo na favela e dificilmente vemos crianças sorrindo na guerra”, completa Fabiano de Abreu.
 
Para a psicóloga Rosilene Espirito Santos Wagner, nenhum trauma é igual: “A mesma pessoa reage de modo diferente sobre o mesmo estilo, aliás a mesma pessoa reage de forma diferente, sobre o mesmo estimulo, em cenários diferente em situações diferentes e momentos diferentes da vida, então concordo , que são traumas diferentes sim, porque na guerra você é dragado você é sugado, para uma realidade adversa da sua, então ali tem pessoas que tem uma situação econômica financeira e cultural de esferas completamente diferente e serão todas dragada para o mesmo momento existencial”.
 
“Tem pessoas que não tem o preparo nenhum que vem de uma condição de proteção, tem ali envolvimento que a gente chama de doador, e tomadores, e recebedores cada um está vivendo seu drama particular, está todo mundo sendo sugado, por um ambiente completamente diferente sem preparo algum, enquanto que na favela o ser humano é bem adaptativo, o ser humano vai se adaptando no ciclo vital, ele vai nascendo ali naquele ambiente, é algo natural para ele não tem sobre saltos, ele está aprendendo na existência dele a sobrevivência do ambiente que ele habita, então ele vai ter poder de escolha e na guerra ele não terá.” Conclui a especialista.

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