Olodum mostra a cara do Brasil

Pela primeira vez banda do Pelourinho desfila sem cordas, na terça-feira, e apresenta tema q fala sobre a diversidade brasileira

No ano que apresenta o tema “Brasil mostra tua cara! Sou Olodum, quem tu és?”, o Olodum mostra que é um grupo que preza pela igualdade. Na Terça-feira de Carnaval, dia 9, o bloco inova com Projeto Olodum Pipoca no tradicional circuito do Campo Grande, no Centro de Salvador. Pela primeira vez o grupo que nasceu nas ruas do Pelourinho sai sem cordas.

Além da terça-feira, o grupo faz sua tradicional abertura do Carnaval no Pelourinho na sexta-feira, dia 5, quando desfila nas ruas do pelourinho e em seguida desce para dar cor e vida ao circuito Campo Grande, Centro Histórico. No domingo, todo o colorido, alegria e beleza do Olodum abre o circuito Barra- Ondina.

O bloco Olodum que este ano recebe o nome “Brasil mostra tua cara! Sou Olodum, quem tu és?” tem o patrocínio da Caixa Econômica Federal, da Bahiagás (através da lei Roanet), da Petrobrás e a Air Europa. Já o Olodum Pipoca tem o apoio do Governo do Estado da Bahia, através da Superintendência de Fomento ao Turismo, Bahiatursa.

Antes, para alegria de baianos e turistas, o Olodum realizou ainda as tradicionais terças da benção e os ensaios do bloco que contaram com o patrocínio da Caixa Econômica Federal e com o apoio do Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Turismo.

Músicas – “O povo falou, falou tá falado; É o Olodum, não é papo furado” com este refrão mais uma vez o Olodum volta a ser o som da boca dos baianos. A canção que retrata o amor do público a banda de percussão tem sido tão pedido nas apresentações da banda quanto as já consagradas como “Requebra”, “Manifesto Olodum” e “Rosa”. Composta por Pierre Onassis, ex-vocalista da banda, a voz que dá vida a canção é de Satyra, que é sempre acompanhada da mais famosa batida de tambores da Bahia.

Este ano, a banda também inova com as canções do Femadum. Pela primeira vez na história do Festival, duas canções ficaram em primeiro lugar. A música “Dores e Glórias”, de Uéslei Lopes, Ell Costa e Graziela Ayres – a primeira mulher que conquistou o primeiro lugar no Festival e “Tambor Varonil”, de Sandoval Melodia, Jucka Maneiro e Roberto Cruz.

Tema – Sempre com uma missão de paz, o Olodum em 2016 fala mais uma vez de igualdade. Depois de associar realidades de países africanos a brasileira, o bloco do Pelourinho volta a falar do país onde nasceu. Com o tema “Brasil mostra tua cara! Sou Olodum, quem tu és?”, o grupo apresenta a história do povo negro e do legado civilizatório que consolidou e aprofundou nas raízes do Brasil.

Os Deuses, as divindades, as tribos, as nações africanas, as religiosidades, as lideranças brasileiras, africanas e da diáspora, são componentes indissociáveis da cultura brasileira, do Oiapoque ao Chuí, do Cabo Branco na Paraíba às fronteiras do Acre com o Peru, que serão apresentados no Carnaval do ano que vem.

 “Para o Olodum que sempre participou dos movimentos sociais ao longo de sua história e que vem, sistematicamente, resistindo e lutando por um país justo, mais igual e acima de tudo clamando pela paz, este é o momento de voltar o olhar para dentro do nosso país, inclusive para a atual crise de valores, princípios éticos e políticos que corroem o país”, revela João Jorge. Em 2016, o Olodum vai para ruas resgatando histórias de resistência, de luta e da construção do povo negro, indígena, mestiço e brancos comprometidos com uma verdadeira transformação social.

Figurino – Baseados no tema do Carnaval do Olodum, dois estilistas tiveram o desafio de produzir o figurino da banda para a festa de 2016. Márcia Ganem e Wilson Silva criaram peças únicas que devem nas ruas chamar atenção para a banda. O resultado final foi um figurino colorido que reflete a identidade do grupo percussivo que nasceu no Pelourinho.

Responsável pelas roupas dos cantores, Márcia Ganem usou no seu figurino materiais diversos e versáteis. “Eu parti da premissa da aglutinação, o espelho, como metáfora para a reflexão, peças feitas em metais, que portam o símbolo do Olodum”, revelou a estilista.

Também foram usadas a fibra de poliamida, que é uma marca do seu trabalho e materiais de reuso, como símbolo de transformação, a exemplo de CDs descartados. “A proposta é trazer muita textura, muita mistura de materiais, tudo conectado pela trama de nó, que é uma técnica de construção de tecido, criada por mim”, revela.

Para os músicos, Wilson Silva apresenta uma técnica diferenciada, que remete a indumentária indígena. “Eu amo o Olodum, foi uma realização minha vestir esta banda, procurei fazer o meu melhor para este figurino, que é criar e costurar”, disse.

A beleza das cores do Olodum será vista na sexta e domingo de Carnaval quando o bloco Olodum desfila nos três circuitos do Carnaval de Salvador. Influenciado pelo tema Brasil mostra tua cara! Sou Olodum, quem tu és?”, o figurino aborda as discussões entre os jovens negros, as tribos urbanas e a miscigenação entre índios, negros e brancos. O Olodum segue a tradição de mostrar nas ruas seus abadás temáticos.

 Idealizados por Miguel Carvalho, a ala de dança representará as Manifestações Populares, além da alegria, as cores vibrantes e a emoção do negro, indígena e branco, a mais pura diversidade étnica do Brasil.

No primeiro dia, sexta-feira, os abadás representarão as diversas tribos urbanas onde o grafite esta ligado diretamente a vários movimentos, que surgiram com o objetivo principal de expressar toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos. O grafite reflete a realidade das ruas. Esta arte será de Luciano Ribeiro.

No domingo, os foliões vestem camisas que representarão  os “Jovens Negros Vivos”. Segundo a Anistia Internacional foram assassinados 30 mil jovens no ano de 2012 e do total dos mortos 77% eram negros, o que denuncia um genocídio silenciado de jovens negros no Brasil. Miguel Carvalho também assina o segundo dia.

Pindorama – Palavra de origem tupi que significa terra das palmeiras. Pindorama era também como os povos ando-peruanos nomeavam esta terra em que hoje chamamos de Brasil. O país possui uma imensa diversidade étnica e linguística, que está entre as maiores do mundo e é a maior da América do Sul. Essa diversidade é encarada como um fator de enriquecimento cultural da nacionalidade.

Como por encanto a população indígena no Brasil vem crescendo e com muita luta, obtendo vitórias na luta por Direitos, a exemplo dos Jogos Mundiais Indígenas de 2015 em Palmas organizado sob a liderança indígena brasileira. Muito que ser feito ainda. O carnaval do Olodum 2016 também vai abordar esta realidade do Brasil.

Ambiental – As festas de rua são responsáveis pela geração de resíduos sólidos urbanos que é um dos problemas ambientais mais críticos das grandes cidades brasileiras. O Bloco Olodum promove durante o desfile campanhas de educação ambiental, visando à redução na produção de resíduos sólidos, especialmente em períodos festivos.

Como medida preventiva para minimizar o impacto ambiental, o Olodum irá realizar campanha informativa com dicas, frases de cunho educativo sobre a importância da sustentabilidade que serão transmitidas nos paineis de Leds com o objetivo de que os foliões contribuam para que o carnaval seja cada vez mais uma época de alegria, paz e não ameaça ao equilíbrio do planeta.

História – O grupo surgiu de uma brincadeira carnavalesca em 25 de abril de 1979 entre os amigos Carlos Alberto Conceição, Geraldo Miranda, José Luiz Souza Máximo, José Carlos Conceição, Antônio Jorge Souza Almeida, Edson Santos da Cruz e Francisco Carlos Souza Almeida. O que era para ser uma opção de lazer momentânea para os moradores do Maciel-Pelourinho ganhou todo o mundo.

A palavra Olodum é de origem Yorubana, idioma falado pelos Yorubás vindos da Nigéria e do Benin para a Bahia em séculos passados. A palavra completa é Olodumaré – o Deus criador, o Senhor do universo e representa no Candomblé um princípio vital, a Suprema Ordem Fundamental – SOF.

O grupo ganhou sonoridades diferentes, transformou a musicalidade africana calcada na percussão e originou novos ritmos, como o Ijexá, Samba, Alujá, Reggae, Forró e se transformou numa expressão viva do samba-reggae, ritmo idealizado por Neguinho do Samba. Daí em diante, o que era apenas um sonho, virou realidade. O Olodum conquistou o mercado musical e se transformou numa das bandas percussivas de maior sucesso no Brasil e até internacionalmente.

Cores – As cores que representam a banda também não foram escolhidas ao acaso. Todas juntas formam a base do Pan-Africanismo, Rastafarianismo e do Movimento Reggae. São as cores internacionais da diáspora africana e constituem uma identidade internacional contra o racismo e a favor dos povos descendentes da África. O verde, as florestas equatoriais da África. O vermelho, o sangue da raça negra. O amarelo, o ouro da África (maior produtor mundial). O preto, o orgulho da raça negra. O branco, a paz mundial.

Internacional –  A banda já percorreu países como França, Estados Unidos, Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália, Suíça, Escócia, Noruega, Dinamarca, Inglaterra, Argentina, Espanha, Eslovênia, Canadá, Japão, Chile, Escócia, Cuba, Angola, Senegal e Benin, Portugal, Irlanda, Irlanda do Norte, Turquia, Israel, Finlândia, México, Venezuela, Austrália, Guiana Francesa, Coréia e Senegal.

Já encantou artistas como Michael Jackson, Linton Kesey Johnson, Paul Simon, Julian Marley, Gal Costa, Caetano Veloso, Xuxa, Ivete, Cidade Negra, Caetano, Gil, Tim Maia, Jorge Ben, Elba Ramalho, Daniela Mercury e Carlinhos Brown. Conquistou títulos como de Torcida Oficial da Copa do Mundo e os percussionistas já estiveram em duas aberturas de jogos mundiais.

Carnaval 2016

Dia 3 de fevereiro – Abertura do Carnaval – Circuito Batatinha – concentração 16 horas

Dia 5 de fevereiro – Bloco Olodum – Circuito Batatinha  – concentração 15 horas
Dia 5 de fevereiro – Bloco Olodum – Circuito Osmar – Campo Grande  – concentração 19 horas

Dia 7 de fevereiro – Bloco Olodum – Circuito Dodô – Barra  – concentração 15 horas

Dia 9 de fevereiro – Olodum Pipoca – Circuito Osmar – Campo Grande 

Letra canção de trabalho

Falou Ta Falado
Composição: Pierre Onassis

O povo falou, falou ta falado
É o Olodum, não é papo furado
Som de percussão, poesia e cor,

É de apaixonar, caldeirão de amor.

E por onde ele passa, o tambor me avisa, Olodum todo mundo, veste a sua camisa, e o perfume da rosa, vem na sua canção, impossível conter, ta no meu coração.

O povo falou, falou ta falado
É o Olodum, não é papo furado
Som de percussão, poesia e cor,

É de apaixonar, caldeirão de amor

É cocada baiana acarajé Olodum, pelô pegou você.
Baiana! Ê baiana, ê baiana!

 

Kátya Elpydio4984 Posts

Criei o Borimbora com o objetivo fundamental de fazer com que você esteja sempre à frente do seu tempo no que diz respeito à comunicação na sua totalidade. Nenhum de nós é TÃO BOM quanto todos nós JUNTOS!

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